Publicado por: fabio sonrisal | 21/09/2010

Colunas@Punknet

Eu escrevo uma coluna para o site www.punknet.com.br geralmente sobre assuntos nostalgicos e conflitantes da cena musical alternativa.  Resolvi publicar aqui alguns dos textos antigos que por lá estão.
O texto abaixo foi extraído da coluna “A vida NÃO é bela” escrita por mim mesmo e publicado originalmente em abril de 2009.
Conflito de gerações, o punk velho da teoria.

Olha só, aqui estou para escrever minha primeira coluna para a Punknet. Site que eu conheço e visito desde a época do punk.net, bela época em que achávamos internet a cabo de 128kbps a coisa mais linda do mundo!

Bem, para quem não me conhece me chamo Fábio para a família e no trabalho. Para todo o resto, Sonrisal , aliás, apelido que virou nome. Tenho  29 anos que as vezes se sente com 20 e as vezes com 40. Sou baixista doHateen, mas bandas foi o que não faltou na minha vida, por aí afora tive o Street BulldogsPredialAditive. Sou totalmente online vida web 2.0. Estou em mais redes do que eu realmente consigo dar conta. E foi basicamente o que fiz minha vida toda pelos últimos 15 anos.

Aliás, em 15 anos no mesmo meio você vivencia e vê muitas mudanças. De certa forma eu começo a entender algumas coisas lá de tempos atrás. Eu me lembro de como os “punks velhos” da minha época, começo de 90, detestavam qualquer banda dessas “novas” que eu gostava como NOFX, Pennywise, Millencolin. Eles mal aceitavam o Fugazi !  Diziam que legal mesmo era o Minor Threat e que depois com o Embrace até que era legalzinho.  Aí pensei, poxa eu acho o Simple Plan redéculo. Na maioria dos shows que eu vou de bandas de amigos e tal, eu vejo uns muleques que eu fico com vergonha alheia, saca? Cruzei os pensamentos e pimba: conflito de gerações. Eu virei o “Punk Velho” dessa teoria. Mas são vários os pontos negativos de hoje em dia que eu não consigo não ser o zangão. Eu pelo menos tento ser simpático. Mas não garanto que sou, hehehe.

Fugazi

E é impressão minha ou antigamente as bandas eram melhores?

Boa, essa eu também ouvia do meu avô, do meu pai, dos mesmos “punk velhos” qual me referi anteriormente e hoje eu mesmo penso assim.

Cada um tem as suas razões e motivos. Eu tenho a minha, hoje em dia tudo é tão efêmero, passa tão rápido, é tão fácil montar uma banda, ter acesso a equipamentos, gravar e principalmente acesso para divulgar. Acaba que banalizou. O muleque monta uma banda hoje, grava amanhã e sábado está fazendo show. Com música lixo, tocando mal, ninguém gostando.  Mal monta a banda, mal ensaia, mal adquire a mínima experiência e já sai para tocar. Desculpe, mas meu ouvido não é penico.

Circle Jerks

Mas sabe por que ele toca? Por que ele foi tocar num festival aí com novecentas bandas que começa as seis da manhã e você basicamente paga para tocar, tendo que vender sua cota de ingressos. Que aliás, quanto mais você vende, você toca num melhor horário. Enfim junte tudo isso a uma febre de colégio de bandinhas de rock. E esse é o resultado. E não é por birra, realmente eu não acho uma qualidade mínima nessas bandas. Todas formatadas.
Esta aí o meu motivo para achar um lixo 90% das bandas que existem hoje. E talvez aí esteja de novo mais um conflito de gerações.

A dúvida é: até quando isso dura? Nos tornamos mais flexíveis ? Eu não sei. As vezes sim, as vezes não, mas continuo bronco tentando ser simpático e assim vamos envelhecendo felizes.

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Responses

  1. Música é arte e em com qualquer ramo da arte, para se realizar uma boa obra, tem que ter estilo próprio, conceito e conteúdo.

    Tem que surgir naturalmente, sem planejar.

    E isso não se consegue de um dia pro outro, é preciso maturidade, que só vem com o tempo, com estudo, dedicação e principalmente: influências!

    Agora, me diga, quais são as influências dessa garotada (bandas coloridas e fãs)?

    Se ficarmos só no rock brasileiro, que já serve de comparativo, e olharmos para os anos 80, tinhamos bandas como Legião Urbana, Barão Vervelho, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Havaí.

    Tinhamos letras de qualidade, poéticas, que protestavam algo, que tocavam nossos corações e nos faziam pensar.

    Havia a preocupação com a qualidade musical, instrumental, introduções, ritmos, batidas e arranjos.

    Cada banda se expressava através do seu estilo, suas características. Ouviamos humor inteligente no Ultraje a Rigor e poesia no Cazuza, no Renato Russo.

    E todos com as suas influências, distintas, nacionais e internacionais.

    (Para fazer um bom projeto de conclusão de curso, você deve pesquisar uma biografia diversificada, tanto em qualidade, quanto em quantidade. Não dá pra montar um bom projeto baseado apenas em um livro, uma opinião.)

    Vejo as bandas atuais com influências muito pobres e cada vez mais decadentes.

    Restart e Cine ouvem o que?

    Ouvem Nxzero, que ouvem CPM22, que ouvem bandas californianas de hardcore.

    Apenas isso.

    Aposto que nem conhecem (nunca ouviram pra valer) Beatles, Pink Floyd, Nirvana, Radiohead, Tim Maia, enfim.

    Acham que seus “talentos” são auto-suficientes!

    Isso reflete na pobreza de composições, que rimam “dias atrás” com “olho pra trás”, reflete também na limitação de suas letras, que nos dão apenas uma única e direta interpretação, geralmente uma “dor de corno”.

    Dizem que são letras de amor, mas sem poesia, não se pode falar de amor.

    Falta inovação e sobra medo de sair da fórmula que “faz sucesso”, e muitas vezes, não por receio de ousar, mas por falta de talento, principalmente!

    Essas bandas são reflexos de seus fãs, adolescentes completamente vazios e sem personalidade.

    São jovens, ainda imaturos, que compram uma guitarra, arranjam quatro notas manjadas, fazem rimas óbvias e acreditam que isso basta pra fazer “música própria”.

    E aí, vejo o CPM22 como exemplo de um grande catalisador dessas bandas que temos hoje em dia, pois antes, as músicas eram mais trabalhadas, não era qualquer “zé mané” que comprava um violão e saia tocando, tinha que ter o mínimo de dedicação no estudo do instrumento.

    Com o CPM22 e seus “bicordes”, qualquer rato de laborarório pega uma guitarra e toca sem dificuldades o seu repertório inteiro, além de Cine, Restart e similares.

    Mas tudo o que é feito sem a sinceridade do coração, sem paixão, não deixa marcas na história, torna-se passageiro e superficial, assim como essas bandas, que não serão lembradas no próximo verão.

    Talvez, no máximo, se tornem memórias adolescentes de um adulto arrependido!

    Assim espero!!

    (sem querer ofender ninguém, essa é a minha opinião)


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